Sítios arqueológicos no Brasil

Sítios arqueológicos e a Pré-história do Brasil


Créditos: 
Marco Antonio Villa
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)


Objetivo(s) 
• Identificar sítios arqueológicos e sua importância para a construção do conhecimento histórico


Ano(s) 1º ao 4º

Material necessário 

Desenvolvimento 


Site referência:

http://www.arqueologia-iab.com.br/page/arqueologia

Foto ao lado: Crédito - IPHAN

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1ª etapa 


Introdução
Mostre a seus alunos como os restos materiais encontrados nos sítios arqueológicos permitem reconstituir a vida dos primeiros habitantes do país.
Explique que, para estudarem o surgimento das primeiras comunidades no continente americano, só temos como documento a cultura material, ou seja, restos, fragmentos de ferramentas de trabalho, armas, resíduos de comida, fogueiras, pinturas e sinais diversos. Após encontrá-los, o passo seguinte do pesquisador é a interpretação dos objetos para tentar reconstruir a vida das populações ancestrais. Por vezes, essa interpretação conduz a resultados polêmicos. As pesquisas em certos sítios arqueológicos brasileiros permitiram questionar, por exemplo, a hipótese dominante sobre a ocupação da América, segundo a qual o homem veio da Ásia pelo Estreito de Bering há cerca de 15.000 anos.


Conte que as teorias heterodoxas sobre esse processo migratório e essas datas baseiam-se nos achados dos sítios arqueológicos de Lagoa Santa, de Monte Alegre e da Serra da Capivara. Em seguida, prepare as seguintes atividades:

Há quanto tempo e de que modo o homem chegou ao Brasil, de acordo com os documentos dos sítios citados acima e destacados por VEJA? Divida a classe em três grupos e peça que cada um deles pesquise uma dessas áreas:


  • Lagoa Santa (MG) Informe que foi encontrada na Lapa Vermelha, em Lagoa Santa, o mais antigo crânio humano das Américas, de idade estimada em 11 680 anos. A reconstrução da face, em 1999, evidenciou um rosto de mulher de traços não-asiáticos, que recebeu o apelido de Luzia. Surgiu então a hipótese de que ela e seus parentes tivessem chegado à América antes da migração dos grupos provenientes da Ásia que deram origem aos indígenas brasileiros.


  • Monte Alegre (PA) Segundo a arqueóloga americana Anna Roosevelt, que fez pesquisas na região, o povo da gruta da Pedra Pintada viveu há pelo menos 11 200 anos. A cientista acredita que houve mais de uma onda migratória: alguns grupos podem ter vindo pelo Estreito de Bering e outros pelo mar.


  • Serra da Capivara (PI) O Parque Nacional da Serra da Capivara guarda nada menos que 260 sítios arqueológicos catalogados com 30 000 pinturas rupestres. Os pesquisadores do local atribuem a elas e aos restos humanos encontrados no local uma idade de 500 séculos.
    No final, peça que cada equipe apresente as hipóteses investigadas e organize um seminário.
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2ª etapa 
Proponha pesquisas sobre a vida das comunidades pré-históricas brasileiras. Sugira que os alunos examinem três grupos diferenciados:
•    Os habitantes das áreas centrais, que viviam em cavernas e deixaram pinturas rupestres como as encontradas na Chapada dos Guimarães (MT).
•    Os povos litorâneos, que dependiam da caça de pequenos animais, da coleta de frutos e da pesca de peixes e moluscos. Conte que montes calcificados contendo objetos de pedra, ossos e restos humanos misturados a conchas são encontrados desde o litoral do Rio Grande do Sul até o Espírito Santo. Tais locais receberam a designação de sambaquis.
•    Os grupos estabelecidos na Ilha de Marajó. Sugira o exame, em especial, da agricultura diversificada e da refinada cerâmica criada por essas comunidades.


3ª etapa 
Peça um levantamento sobre a forma de trabalho dos arqueólogos: como selecionam os locais, que instrumentos utilizam etc. Lembre que o maior problema no estudo das comunidades pré-históricas é a dificuldade na preservação dos sítios arqueológicos. Esses pontos acabam vitimados pela especulação territorial ou são pura e simplesmente destruídos. Além disso, a construção de hidrelétricas tem levado ao surgimento de represas que inundam áreas valiosas. Tudo isso contribui para o número reduzido de arqueólogos no Brasil, dedicados a pesquisas que exigem recursos financeiros e tecnológicos e só oferecem resultados a longo prazo.